História
do Presidiário – CD 03
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
Salve
Deus, Tia, a Senhora nos falou que chegou o momento de nós termos o nosso
caderninho, um caderninho pra fazer anotações daquelas pessoas que tiverem
necessidades lá fora.
(Tia Neiva):
Justamente,
então, se você está mal assistido, então você corre perigo ou as pessoas que
mentalizem você, tá entendendo?
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
E
qual seria essa nossa defesa antes de nós podermos ajudarmos essa pessoa.
(Tia Neiva):
A
Elevação!
Agora,
outra coisa, eu gosto de contar assim casos pra vocês, que aconteceram comigo,
pra vocês se basearem.
Por
exemplo, aí nesse Presídio de Brasília, foi preso um Homem de São Paulo,
negócio de cheque, não sei. Então, virou uma... Então eu fui chamada... Oh, ele
veio aqui, e eu tinha muito carinho por ele. Ele foi preso por negócio de
cheque, e prenderam ele, aquela coisa, e aquela desmoralização, então eu tinha
um carinho especial por ele.
Mas
naquela mudança lá, entrou um Policial e eles tinham rixa do passado, e virou
uma coisa esquisita, o Policial não podia nem ver esse homem, quando ele tava
no pátio, ele me contando, né, ele via, esse homem, esse Presidiário, ele ia
até lá e...
Eu
fui e disse pra ele:
“
– Olha meu filho, quando você ver ele de longe, você lembre das costas do
Doutrinador, ele com esse Colete, você mentaliza as costas dele. Quando for nos
horários dos Mantras, você faz o mesmo, você mentaliza esse homem...”
Então
ele começou a fazer assim. O primeiro dia ele não respeitou. E foi, e foi e
foi... Modificou o homem. Por último ele foi numa viagem e quando ele chegou
ele disse, ele foi chegando, chegou de viagem assim, ele disse: Olha Tia, eu percebo, hoje é meu dia...
Ele
queria medir forças, lutava com ele. Aí ele disse que só via esses Coletes
Brancos e essa Cruz Preta, não via mais nada. O sujeiro foi lá e disse:
“
– Olha, eu vim aqui falar com você que eu lhe maltratei muito, você vai me
perdoar um dia...”
Aí
esticou a mão pra falar com ele, e ele disse:
“
– Olha Tia, eu num tive mão pra levantar pra ele não...”
Olha
o tanto que você vê que ele tava magoado, né? E esse homem se modificou mesmo,
aí o outro me falou outro dia:
“
– Tia, agora ele tá até enjoado, tá até enjoado me pedindo perdão todo dia. Eu
preferia até que ele esquecesse de mim...”
E
isso tem muito tempo já, ele foi embora pra São Paulo. Acho que um ano e seis
meses que ele teve preso, mas a folguinha dele era aqui, sabe. Era um rapaizão
loiro, grandão, muitos de vocês lembram quando ele vinha aí, eu largava tudo e
ia atender.
Interessante
que aquela fila minha ali, chega uma pessoa assim, eu corro e vou atender a
pessoa depressa, ponho ali, então muita gente fala:
“
– Olha, é só porquê é rico...”
Sabe
mesmo não, teve um aí que falou:
“
– É só porquê são gente rica...”
Mas
não sabe se às vezes até é um preso, entendeu, é uma pessoa que tá com um
problema tão difícil, porque esse problema de pobreza igual a mim, se é que é
isso, é tão fácil, né? Tô tão acostumada, é tão mais fácil resolver...
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
Tia,
um detalhe importante que existe, que se um Presidiário for pedir licença no
caso pra vir visitar Tia Neiva eles liberam na hora, não é?
(Tia Neiva):
É,
liberam na hora. Não digo assim, na hora, mas eles liberam mesmo. Eles já
telefonaram pra mim no Natal, se eu aceitava ficar aqui com não sei quantos
Presidiários, e eu disse que pode vir, eu só não me responsabilizo assim, de
levá-los daqui, mas nunca houve uma fuga.
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
E
a Senhora acha que existe uma Força atuante na condução deles até aqui?
(Tia Neiva):
É,
o Pai Seta Branca! É uma Força, uma Força mesmo! Sim Meus Filhos, é isso aí que
me faz ficar feliz.
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
Eu
queria saber se o Mestre Lua, o Apará, se ele é capaz de fazer a Elevação a
nível mental ou se ela tem que ser realmente falada, ou se em certas
circunstâncias ela pode ser feita a nível mental.
(Tia Neiva):
Não
meu Filho, isso aí, você ainda vai receber tanta instrução pra chegar a essa
Elevação, entende meu Filho? Vai ter que trabalhar sua mente pra saber. E eu
acredito mesmo que não são todos os Mestres Lua que possam ter certas
particularidades de nossas Iniciáticas, vocês não acham meus Filhos? Vocês não
estão de acordo comigo?
(Pergunta de um Mestre Ajanã
que assistia a Aula):
Salve
Deus, Tia! Será que eu podia dar uma palavrinha com a Senhora? Queria que a
senhora me explicasse uma coisa, aconteceu uma passagem comigo lá no Templo
hoje numa Mesa, eu dormi na Mesa que tava fazendo lá, e eu fui pro Mar brigar
com um Tubarão e eu fiquei preocupado, eu pensei como é que pode acontecer uma
coisa daquela, a Senhora sabe que eu fiquei, tá aí o Doutrinador que tava lá
junto comigo, uma passagem lá na Mesa e eu fiquei com medo disso, como pode ser
isso?
(Tia Neiva):
Salve
Deus!
Pode
ser meu Filho, pode ser que você tenha uma dívida com o Espírito que tá ali,
porque os Espíritos que nós devemos, eles vêm nos esperar no Templo!
Entenderam?
Eu
sempre me lembro de uma conversa de um Doutor, de um Filósofo, Doutor Luiz
Fernando, ele disse assim:
“
– Olha Neném, você tá com esse negócio de não beber, que o Seta Branca não quer
que vocês tomem álcool. Vocês tão partindo pra uma Iniciação, que é uma coisa
muito séria, mas o perigo é essa intransigência de vocês.”
Aí
Mãe Neném falou que a intransigência não era nossa e nem de Pai Seta Branca, a
intransigência eram fatores mesmo pelo fenômeno Iniciático, não é? Ele ainda
olhou assim pra mim e falou assim:
“
– Neiva, é você que vai trazer o Sol Simétrico?”
Olhou
assim pra mim e falou:
“
– É você que vai trazer o Sol Simétrico?”
E
eu não sabia o que era isso, né? Não sabia o que era Sol Simétrico, fiquei calada
ali no meu canto, né? Depois ele disse:
“
– Olha, eu parto numa filosofia: Eu prefiro, eu prefiro ver um Médium bebendo
cachaça dentro dum Terreiro do que num Butiquim”
Estão
entendendo? Essas coisas ficaram guardadas dentro da minha cabeça. Quer dizer
que é melhor o Sofredor vir esperar a gente no Templo do que lá fora, né?
E
nós temos essas regalias meus Filhos, e como temos, né? Todo mundo quer fazer a
caridade e não tem condições, e nós temos um Palácio, né? Sofreu feito um
cãozinho danado, mas fizemos.
Eu
acho que, quando eu fui, comecei a receber as minhas aulas de... Pra me iniciar,
na minha Clarividência eu não tinha paz... Acredito também que hoje eu não
tenha assim essa paz, porque os fenômenos de uma Clarividência é tão complexo,
que eu vivo dia e noite numa complexidade de coisas, de fatos, de aparições, de
fenômenos da Terra, do Céu, entenderam?
É
uma vida difícil. Mas mais difícil quando eu não tinha, quando eu não tinha
preparo, quando eu comecei a receber as instruções do meu Mestre. Porquê tudo,
meus Filhos, partiu, a minha vida foi diferente.
Eu
vim mesmo pra ser Mãe de vocês! Sem qualquer complexo de superioridade,
qualquer complexo de pensar, por exemplo, status, de ser uma Rainha, de ser uma
Líder. Quando a pessoa fala que eu sou Líder, eu sei que sou, entenderam? Mas
olho pra mim... Prefiro ser só Mãe, carinhosa e que trás os Filhos pra ela.
Mas
o seguinte, você vê como começou a minha vida, então, e trabalhava com
caminhão, e de repente descortinou assim em mim, né? Eu tava deitada quando
chegou um Velhinho, falou comigo, e daí, vocês fizeram a Centúria, vocês devem
saber tudo que se passou comigo daí em diante, entendeu?
Mas,
eu fiquei a ponto de me suicidar. Fui procurar o Padre Roque. O Padre Roque
falou pra mim:
“
– Olha, você tá endemoniada menina! Você tá endemoniada menina! Olha, você não
quer puxar uns tijolinhos aqui pra Igreja?”...
Eu
falei:
“
– É, eu acho bom... Eu acho bom... Perfeitamente...”
E
fui. Mas cada dia era pior. Mas cada dia era pior. Os Espíritos subiam no
caminhão, de todo jeito. Então eu fui procurar um Psiquiatra, o Doutor Saião
disse:
“
– Procura um Psiquiatra, chegou, disse que chegou um Psiquiatra aí na Vila do
IAPI...”
Aí
eu fui lá e procurei o Psiquiatra. Falei:
“
– Olha, Doutor, eu tô me sentindo mal...
Agora
vocês vejam, vocês têm qualquer coisinha, e:
“
– Ah, minha Mãe, minha Tia, eu tô ruim...”
“
– Não, meu Filho, isso não é nada...”
Cheguei
lá e:
“
– Olha Doutor, eu tô me sentindo mal, tô vendo miragem, toda hora vem umas
coisas perto de mim, conversa comigo Doutor!”
E
ele:
“
– É assim mesmo, é assim mesmo...”
E
eu falei:
“
– Não, não é assim não, porque eles conversam demais, conversam coisas, me
ensinam...
“
– Ah, é assim mesmo...”
“
– Eles me ensinam até o Pai Nosso!”.
E
ele:
“
– Ah,sim, sim, é assim mesmo...”
Ele
deve ter pensado: No subconsciente dela deve tá cheio dessas coisas, Mas, de
repente, saiu um Espírito assim atrás de uma cortina, de um biombo, e disse:
“
– Boa noite Fia!”
Falei:
Ah, essa não, aqui no Psiquiatra, esse homem vir aqui, é muito desaforo!
Aí
falei:
“
– Essa não Doutor...”
E
ele falou:
“
– O que foi, o que foi?”
Eu
pensei: Não, não vou falar, né? E aí o Espírito começou:
“
– Fala Fia! Eu sou eu, sou o Pai dele, sou o Juca, tem sessenta e poucos dias
que eu morri...”
Aí
eu falei:
“
– Doutor... Doutor...”
“
– Sim, sim, é assim mesmo...”
“
– Doutor, olha, tem um defunto aqui...”
E
ele:
“
– Sim, sim, é assim mesmo...”
E
vai, e vai, e eu falei:
“
– Olha Doutor, quer saber de uma coisa, ele falou que é seu pai, que chama Juca
e morreu tem sessenta e dois dias hoje!...”
Aí
ele não podia se negar, né? Ele sabia que eu não conhecia e nem queria
conhecer, entenderam? Ele deu aquele pulo da mesa assim, todo engravatado e
falou:
“
– Meu pai, meu pai!”
Eu
falei:
“
– O quê? A minha doença passou pra você?
“
– Meu paizinho, fala mais, fala mais!”
Aí
já viu, né? Atuada como eu tava, já fui batendo em cima da mesa, a porta tava
fechada, né? E eu dei um bicudo com a bota que derrubou a porta, como eu
derrubei essa porta eu não sei. Uma porta dessas portas de hospital, um
hospitalzinho que tinha lá dentro do IAPI.
E
passei por cima da porta com tudo. Até lá em casa me falaram: Essa porta devia
tá quebrada, porquê não é possível. E ele atrás de mim:
“
– Fala mais, fala mais!”
Então
eu vim embora. Falei:
“
– Agora eu vou me suicidar, porque não adianta, tem que arrancar a cabeça fora,
né?”
Aí
peguei um revólver lá, que tava lá em cima, né, um revólver que andava no
caminhão, quando eu peguei aí um homem bateu na porta:
“
– Oh Neiva!”
E
eu falei:
“
– Ah, vou matar ele primeiro, depois eu me mato!...”
É
assim, né? Pela primeira vez chegou o meu Guia Espiritual que é o PAJÉ, e
falou:
“
– Olha, não faça isso, não faça isso, atira em mim mas não atira em você...
E
começou a falar uma porção de coisas, sabem, e eu falei:
“
– Eu vou me matar é por sua causa mesmo!
Até
um tempo desses ele tava brincando com Pai Joaquim das Almas:
“
– Eu vou me matar é por causa de vocês mesmo, viu! Vocês não prestam, não têm
consideração comigo!
Aí
eles já abriram a porta lá, e o Betinho chorava, e:
“
– Mamãezinha tá doida...”
E
me agarrava, e eu:
“
– Meu filho, eu tô ficando doida mesmo, mas tem gente aqui me pondo doida, num
sou eu só!”
Ninguém
acreditava. Bom, fui trabalhar, quando eu cheguei, um caminhão de pedra, dois
caminhões de pedra, chegou uma Preta Velha e falou:
“
– Essa pedra não presta. Essa pedra não presta, é areia pura!”
Eu
falei:
“
– Não!”
E
ela:
“
– É!”
E
eu falei:
“
– Mas sai com a sua boquinha de azar pra lá, porque eu tenho que vender minha
pedra, meus filhos vão passar fome desse jeito... Não durmo de noite!...”
Era
a Vozinha do Espaço, a Mãe de Pai Seta Branca. E eu falei:
“
– Você vá se embora e tire sua boquinha de azar pra lá, e deixe eu vender minha
pedra, viu!”
E
ela falou:
“
– Não, minha Filha, olha, lá em Taguatinga, no número tal, tal e tal, do lote
vinte e cinco, tão esperando você porque tem uma mulher aleijada a quarenta
dias com a Doença de São Guido e você vai cuidar...”
E
eu falei:
“
– Oh! Quer saber de uma coisa, pra onde é que você vai? Você saia daqui,
neguinha ordinária!”.
Aí
o meu chofer chegou e falou:
“
– Que foi Sinhá”.
E
eu falei:
“
– O que foi? É que eu não posso matar uma neguinha que teve aqui, mas ela falou
que as pedras não prestam não!”.
E
ela saiu dando risada! E disse:
“
– Um dia você bota juízo...”.
E
foi-se embora. Então, assim que começou minha vida. E depois o homem chegou e
falou:
“
– Essas pedras não prestam não!”
E
eu falei:
“
– Bem que eu sabia!”
E
ele falou:
“
– E pra quê que você trouxe Baiana, essas pedras pra cá? Você vai ter prejuízo.
Você não viu? Você não conhece pedra? Você anda meio doida!”
E
o caminhão, era um “Internacional F-180”, eu descarreguei todinha as pedras no
braço, quando eu acabei, tava todo ensangüentados os meus braços. E ai quando
eu virei o caminhão e falei:
“
– Vou-me embora pra Taguatinga...”.
Quando
eu cheguei em Taguatinga, tava um povo lá me esperando, e eu falei:
“
– Uai, quem mandou vocês me esperarem aqui?”.
Eu
fiquei grosseira, sabem? E eles falaram:
“
– Foi um homem de branco, esteve aqui e falou...”.
Nisso,
as Penas do Pai Seta Branca... Pela segunda vez, falando em Castelhano, disse
pra mim assim:
“
– Sente numa cadeira e bote um pano alvo no seu colo”.
E
eu fui, assim, toda ensangüentada de pedra. Quando eu “voltei”, a mulher tava
me abraçando, que tinha ficado boa, foi a primeira Cura que eu fiz, a doença de
São Guido. A mulher me abraçava:
“
– Tô boa, eu tô curada!”.
Estão
entendendo? Foi a primeira Cura. E Ele foi embora, eu fiquei com uma saudade de
ouvir aquilo outra vez... Mas quando a mulher veio:
“
– Ah, Deus lhe pague! Você me curou!”.
Eu
falei:
“
– Sai daqui! Não me apareça mais! Não me agradeça,, eu não gosto desse negócio
de Espiritismo!”.
E
todo mundo juntou e:
“
– Neiva, você vai acabar morrendo!”.
E
eu falei:
“
– E é o que eu quero mesmo! Aí nós tamos no braço a braço e eu quero me pegar
com esse povo lá em cima!”.
Nunca
tive um dia, meus Filhos, que eu tivesse assim uma ilusão do que eu queria. Aí
passou, fui pra casa. Mas eu tinha um pouquinho de saudade daquela voz que eu
ouvia, do Pai Seta Branca. Mas Ele também não me deu mais confiança...
Um
dia eu saio, quando eu vou saindo, aí que eles acertou, quando eu vou saindo ali
na avenida, morava na Vila, no Bandeirantes, quando eu fui na Avenida Central,
tem uma via por ali, não é? E eu freei o carro, e aí fazia assim para o Guarda
com os olhos arregalados, e ele:
“
– O quê foi, você ficou louca? Quê que é isso Baiana?”.
E
eu apontava, ele olhava embaixo do carro e eu apontava pra ele, e ele:
“
– Não tem nada aqui não, o quê que foi, você tá doida Baiana? Vai caçar um
Terreiro!”
E
eu pensei:
“
– Tá, eu vou caçar um Terreiro mesmo”.
Cheguei
alí em frente ao “Mirocã”, tinha um Japonês, olhem vocês vê, quando a gente tem
que chegar a cabeça no lugar, depois de todo esse sofrimento, um ano de sofrimento,
foi um ano meu Filho! E eu cheguei nesse bar.
As
minhas pernas estavam assim, tremendo, de pensar que eu tinha matado um homem,
sabe? Aquele susto que eu passei. E então eu fiquei no bar e botei meu carro
pra lavar, pensei:
“
– Nem vou trabalhar hoje mais...”.
Botei
meu carro no lavador, era um posto, tinha um restaurante, era um barzinho ali,
e então eu fiquei na porta, pensando:
“
– Meu Deus! Agora acabou mesmo”.
Eu
era rica, eu sempre tinha três, quatro caminhões, eu era rica mesmo, dinheiro,
tudo eu tinha, não tinha dificuldade na vida, não tinha nada. E agora eu estava
me acabando, não é?
Encostei
assim, e já estava com a prestação do carro começando a “enguiçar”, já tinha
vendido um carro, isso num ano. E estava encostada assim, pensando em minha
vida:
“
– É, eu não matei esse homem. Mas agora, o que passar eu vou matar!”.
Olha
meus pensamentos!
“
– Eu vou passar por cima e vou achar é bom!”.
E
uns pensamentos bobo na minha cabeça, sabe? De louca mesmo, não é daquela
mulher equilibrada que é Tia.
E
tinha um homem assim, esperando o ônibus, aqueles ônibus do Bandeirantes, uma
lotação, não sei se lembram, isso em 1957, 1958.
Quando
eu olho assim, o homem tava assim, parado, e uma mulherzinha desse
tamanhozinho, de vestidinho de bolinha, godêzinho, uma sombrinha, e tava assim,
na cabeça dele. E eu pensei:
“
– Uai, e essa mulherzinha?”.
De
repente, ele ficou pequenininho também, como se fosse um filme, o mesmo homem,
e os dois se abraçaram e se beijaram, e ela ficou assim, com a cabecinha... E
eu pensei:
“
– Uai, agora, esses aí já não são do céu, já não são mortinhos! São vivos
mesmo!”.
Aí
complicou, né? E nisso, eu olhei pra rua e não tinha nada. De repente, saiu
assim duma esquina, a mulher, de sombrinha, de bolinha... E então, quando a
mulher saiu, eu pensei comigo:
“
– Então eu ví a mulher...”
Ela
veio caminhando, abriu os bracinhos, fechou a sombrinha, do jeitinho que eu ví,
fechou a sombrinha, os dois se abraçaram e ela ainda botou a cabecinha assim no
ombro dele, como eu ví. Mas, então eu pensei comigo:
“
– Eu ví o futuro do homem!”.
De
repente, não prestou, eu ví o ônibus tombado e seis pessoas mortas, inclusive a
mulher do vestido de bolinha e aquele homem...
Aí
o ônibus chegou, e eu me afobei. Ah, mas não prestou...
“
– Não vá, não vá moça. Moço, vem cá moço, não pegue esse ônibus! Não pegue esse
ônibus! Não pegue esse ônibus!”.
E
a mulher falou assim:
“
– Sai daqui, sua Sirigaita! O quê que você quer comigo?”
E
virou pra ele e:
“
– Eu sabia! Eu sabia que você tava namorando essa motorista!”.
E
aí, não prestou de jeito nenhum, e eu alí no meio, e:
“
– Não vá! Não vá, não vá,, pelo amor de Deus!”.
E
o homem veio assim me acompanhando, assim pela força do destino, não é? E me
acompanhando, e a mulherzinha fechou a sombrinha e veio pra cima de mim, e não
prestou, e eu empurrava ela pra lá, e o homem:
“
– Mas que diacho!”.
E
eu falei:
“
– O senhor vai morrer!”.
Mas
eles não viam nada, e a mulher me xingava, me descompunha que não tinha mais
pra onde... Mas não importava, eu nem, minha cabeça estava só pensando, eu ví
eles morrendo, eí eles mortos. Aí o ônibus foi embora. E aí eu pensava assim
comigo:
“
– Tomara que ele tomba, não é?”.
Porque
se o ônibus não tombasse eu tava frita, não é?
“
– Tomara que ele tomba!”.
Nem
estava somando com nada, né? Aí o Japonês chegou, isso dentro de poucos
minutos, e aí o Japonês chegou e falou:
“
– Quê foi Baiana?”.
E
a mulher:
“
– Vem cá! Eu vou pegar ela!”
E
virou aquela confusão, não é? E a turma segurando ela pra ela não me pegar. Mas
eu fiquei até calma, com aquela segurança, se eu ví uma coisa, a outra também
vai acontecer, não é? E o Japonês falou:
“
– O que foi? Você tem alguma coisa com esse motorista?”.
Porque
ele nunca me viu... Eu era firme alí, bacana, nunca me viu ali com nenhuma
criancice. E eu falei:
“
– Japonês, vai morrer! Eu ví morrer seis pessoas, o ônibus vai tombar Japonês!
Vai tombar!”.
Ele
falou:
“
– Ah, visão? Visão?”
E
eu:
“
– É, uma visão!”
Aí
ele me segurou lá na mesa, e a esposa dele veio e falou:
“
– Toma uma cervejinha!”.
Quando
ela vai botar a cerveja, eu não respondia, só falava:
“
– O ônibus vai tombar e vai matar aquela infeliz! E é bom que matasse mesmo,
não é?...”.
E
o Japonês se desculpava por mim para o homem:
“
– Não, peraí, ela tá cansada, ela tá estafada, já me falaram dessas alucinações
dela...”.
Isso
foi poucos minutos, em poucos minutos aconteceu tudo isso que eu estou
contando, e aí foi aquele estampido, mas foi um estampido tão feio... O ônibus
caiu naquela curva, entenderam? Só demorou o tempo dele pegar mais outros
passageiros, de um ponto mais ou menos por alí, naquela “curva da morte” da
Cidade Livre, caiu lá embaixo, e nós ficamos todos assim... E eu pensei assim
comigo:
“
– Que bom, devia ter deixado você ir! Eu ví seis pessoas mortas nesse ônibus!”.
Aí
não foi eu que falei, já foi o Japonês.
“
– Ela viu seis pessoas mortas!”
Na
mesma hora, chegou alguém e:
“
– Quatro pessoas morreram no ônibus!”.
Então
todo mundo, seis pessoas, morreram quatro pessoas, a mulher:
“
– Quer dizer que eu ia morrer, não é?”
Nem
sei o que eu falei. E eles vinham atrás de mim, eu saí assim caminhando, fui
pra casa.
Mas
sabe, quando a gente tá assim, você buscar uma resposta, e você recebe a
resposta... O mundo inteiro me respondeu!
Mas
foi cruel viu, meu Filho, o tanto que essa mulher me descompôs, e por último, o
homem já tava resolvido também a acabar comigo, não é?
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
“
– Tia, quer dizer que aquele casal não tinha que morrer, não é? E a Senhora
serviu de intermediária pra que não acontecesse o fato?”.
E,
na realidade, Deus me mostrou, Deus evitou a vida deles por meu intermédio,
porque dali em diante, quantas vidas eu já evitei, já pensou?
Pode
ser até que eles nem morressem, mas o fator do ônibus tombar e morrer quatro, e
eu afirmando que era seis... Então, aquilo ali, foi como se o mundo inteiro
tivesse me dado uma resposta só! A mulher:
“
– Ah, pelo Amor de Deus! Você me salvou!...”.
E
eu:
“
– Sai pra lá! Vai se embora! Não salvei não foi por você não, vai pro
inferno!”.
Não
foi por Amor. E eu saí caminhando. E aí eu já ouvia a Mãe Yara, com aquela voz
suave dela:
“
– Filha, agora você tem a prova. Você vê o Futuro, o Presente e o Passado, isso
tudo em um quadro só...”.
Aí,
eu passei dias, que eu não sabia se eu comia, eu não sabia se eu ia trabalhar,
eu fiquei assim, como se estivesse indo no Céu e na Terra, no Espaço. Então, desse
dia eu aprendi tudo.
Mas,
por isso que eu falo pra vocês, mesmo como grandes Médiuns, precisam de
instrução, sabem porquê meus Filhos? Eu que via o Passado, o Presente e o
Futuro, aconteceu um outro fenômeno pior, uma outra coisa chata:
“
– Ah, como vai Neiva, tá boa?”.
“
– Ah, tô boa.”
“
– Puxa, mas você tá com um Espírito feio! Nossa, que horror!”
A
pessoa ficava assim... E eu não guardava, não fechava a boca, ah, isso foi
pior! Sabe o quê que o Pai João fazia? Ele vinha e falava comigo:
“
– Filha, não pode tá falando!”.
E
eu pensava:
“
– Ah, mas esse Preto Velho, ele quer que eu me cale e deixe as pessoas morrendo!
Falta de Amor, não é?”
Aí,
Pai Seta Branca me pegou, Pai João andou me dando umas terçadas, sabem, pegou
um terço uma vez, mas eu fiquei mansa de coração!... Fechei a boca, comecei a
respeitar os Espíritos... Eu tive que apanhar de Terço, um Terção de Pai João
assim!
Aquele
Terço que está ali, não é nada mais e nada menos do que uma lembrança de minha
disciplina! Quando eu começava:
“
– Puxa, mas você tá com um Espírito...”.
Pai
João chegava lá assim, de cara fechada atrás da pessoa, e eu:
“
– Não, tudo bem!...”
Mudava
completamente o assunto. Entenderam? Mas foi preciso que me desse umas
cintadas.
Pois
bem, meus filhos, aí foi quando eu me ingressei, Pai Seta Branca fez um trato,
no Tibet, com Humarrã, que era um Clarividente, era um Mestre que vivia lá.
Tudo já ligado pela Força Divina, não é?
E
eu fui, e lá eu recebia as instruções. Ficava morta, morta assim, febre
altíssima, e me transportava, o povo aqui pensava que eu tinha até morrido. Mas
já fiz transporte físico, fiz coisas, eu já fiz muita coisa bonita e triste,
entenderam?
Aí
que eu estive com esse Mestre Humarrã, e ele... E peço a Deus, ele era vivo, eu
chegava em frente dele, e ele me ensinou todas as Iniciáticas, ele me ensinou
tudo meus Filhos, tudo o que vocês possam pensar, o que é de Espírito...
Entendeu?
Porque
depois eu comecei a correr um outro perigo, que é a Alta Magia de Nosso Senhor
Jesus Cristo! Eu fui na Magia e me deslumbrei na Magia, estão entendendo? É
deslumbrante você chegar assim e ver uma Contagem...
Formar
uma Contagem numa Pedra, e você ver as pessoas falando como se fosse um cinema,
fazer uma chamada de uma pessoa aqui pelo nome, pela idade, e eu ver lá na
França, eu ver o que ele tava fazendo por aqui. Estão entendendo?
Então
eu comecei a me deslumbrar, e esse Mestre foi cortando minhas unhas, foi me
explicando, entenderam?
Depois,
eu comecei a viver tanto a Vida Espiritual, que eu já não me deslumbrava, e
comecei a ter decepções com as coisas que eu via em certas Cavernas. Depois me
preparei.
E
então, tive que correr em Sete Cavernas, e aceita por todos os Exus, pra que
nenhum atrapalhasse a grande obra que eu fosse fazer.
Então,
eu falava na aparição do Doutrinador! Porque eu que dei à Luz ao Doutrinador. Pois
bem, eu fui de porta em porta! Uns me agrediam, outros debochavam, mas passei
por tudo isso em Nome de Jesus!
E
onde eu andava, eu pedia a Jesus que arrancasse meus olhos, que arrancasse meus
olhos ali naqueles lugares, se fosse pra mim fazer uma coisa errada. Não foi só
pela Vidência que eu entreguei meus Olhos a Jesus, mas também pelo Amor que eu
já sentia, o Amor Incondicional que já vibrava no meu Coração!
E
aí meus Filhos, as provas chegaram! Fiquei pobre, entenderam? Que não tinha o
quê comer, tá bom! Quando eu tava na pior mesmo, chegou uma mulher, uma mulher
morreu, tomou formicida tatú e morreu, e eu fui criar os filhos dela,
entenderam?
Depois
veio a prova, quando os meninos tavam bem, veio uma irmã dela e carregou os
meninos todos. Foi outro sofrimento... Eu tinha aquele Amor...
Então
até isso, eu tive que botar meu coração assim dependurado, e trabalhar
Espiritual, entenderam? E me entregar a quem precisava. Meu coração ficava
dependurado, entenderam? Sabe como é que é? Eu não posso amar as coisas, eu
tenho que ter o Amor Incondicional.
Então,
se hoje eu te amo tanto, é meu Filho! Você pega a sua malinha e: Adeus Mãe, eu
vou embora... E eu tenho que renunciar a você! Hoje eu já sei, você foi embora
aqui, mas nós vamos nos encontrar! Tá certo? Hoje eu já sei que não há uma
partida mais, não há um adeus!
Salve
Deus!
Essa
que é a minha vida! E além de trazer a Luz do Doutrinador, que eu dei à Luz ao
Doutrinador, considero o meu Filho! Entenderam? Do meu seio o Doutrinador!
E
então eu tinha um complexo, porque o Incorporador, o Medianeiro, né? O
Sensitivo, não é meu Filho, ele veio de Salomão, né? Ele já veio de outras, de
mil vidas. Então, o Pai fez o Mestre Apará.
Então,
o Mestre Apará é outro Filho que nasceu de mim, como o Doutrinador. Não existe
o Apará, não existe o Mestre Lua, não existe a Ninfa do Vale, ela nasceu de
mim!
O
Mestre Lua nasceu de mim. O Apará está nascendo de mim, porque não existia, tá
certo? O Ajanã é o Mesmo, mas Ajanã é um nome científico. Entenderam?
Ele
é o meu Filho, ficou tão igual esses dois Espíritos que trabalham essas duas
forças que trabalham distintamente, entenderam? e é maravilhoso, não é?
Agora,
eu sempre falo meus Filhos:
Nós
precisamos de Contagem! Nós não precisamos do Povo, nós precisamos de Contagem!
Essa
Emissão que nós emitimos, é uma Contagem Viva aos Olhos de Jesus! Jesus Vive
nas Legiões, como de Paulo de Tarso, de São Jorge, São Sebastião, São Lázaro,
entenderam? Jesus Vive nessas Legiões, porque elas é que estão emitindo esses
Espíritos, estão entendendo? Que não estão nem a caminho, estão nessas
dimensões, dentro de Pântanos...
Salve
Deus!
Eu
espero em Jesus que... Que vocês não passem o que eu passo, que eu passei...
Mas que vocês aprendam o que eu aprendi! Estão entendendo?
O
Mestre Lua, mais uma vez fique gravado com vocês, o Mestre Lua é um Príncipe
desse Amanhecer, como é um Príncipe os Doutrinadores! São Príncipes!
Breve,
breve, muito breve, isso, que é uma manipulação de Forças, estão entendendo? Mesmo
estando com os olhos abertos, quer dizer, pensando que não está incorporado, ele
está com a manifestação silenciosa dos Cavaleiros, e vai tirar muita coisa do
fundo da terra! Que a terra tá assim, olha, entenderam?
Eu
tenho uma menina aqui, que ela é vidente. É a Gertrudes. Ela teve uma vidência
e eu tive outra, a mesma vidência, no mesmo lugar. Nós vimos, nós duas vimos,
olhamos e vimos um buraco enorme, um Portal de Desintegração num canto aqui do
Vale.
Salve
Deus!
De
forma que... Eu não tô falando nessa dimensão não, não é aqui nesse chão nosso
não...
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
“
– É aqui atrás do morro Tia? Porquê a senhora falou que aqui atrás do Morro
tinha uma Caverna, né?”
Não,
mas não é coisa ruim não, eu tô falando em coisas boas pro fim dos tempos, que
nós vamos nos encontrar, né? Nós temos que encontrar com nossos irmãos, com
esses seres que estão perdidos por aí. Eu já me encontro, agora, vocês também
tem que encontrar uai! Senão nós ficamos toda vida que nem o Doutor Psiquiatra
e eu...
Salve
Deus!
A
minha vida Espiritual foi assim meus Filhos. Diz Mãe Tildes que eu fui pegada a
laço, e fui pegada a laço mesmo, só faltou o cachorro pra me pegar.
Essa
aí foi a filosofia, a filosofia da minha vida, não fui “Santinha”. Tem gente
que diz assim pra mim, santa ignorância:
“ – Ah Tia, o dia que eu chegar lá, como a
Senhora...”.
Estão
entendendo? Foi assim. Enquanto Pai João me dava umas correadas, em nome de
Nosso Senhor Jesus Cristo, eu pensava assim:
“
– Que Neguinho feio!
Eu
olhava assim:
“
– Que Neguinho feio! Que olhão!
Aprende
a respeitar os Espíritos! E aí já viu, né?
E
eu sou sensitiva, se eles manda um pau aqui, parece que pega direitinho...
Hoje, quando caiu um ferro, um ferro de três metros, ele caiu aqui das minhas
costas com tanta força, eu tenho certeza de que Pai João deve ter aparado,
entenderam? Porque senão eu tinha arrebentado isso aqui hoje. Mesmo assim ficou
doendo muito, mas eu sei que ele aparou. Eu já pensei ele tava ali por perto, olhei
pra cara dele e ele:
“
– Não, Fia, você não merece mais não!
(Pergunta de um Mestre que
assistia a Aula):
Caiu
nas costas físicas? Eu pensei que tava no Etérico!
(Tia Neiva):
Físicas
meu filho! Eu sou sensitiva, porque eu tenho certeza que ele aparou um pouco,
se eu não fosse... O pau caiu duma vez, eu tava assim, e o pau caiu de lá e
veio aqui em cima, mas foi uma dor tão grande, aqui, olha, tá tudo dolorido
aqui assim, olha, mas eu tenho certeza que ele ainda, ele segurou. Eu já
pensei:
“
– Eu fiz alguma coisa?”
Ele
falou:
“
– Não Fia, você num precisa mais não”
Foi
teimosia dos meninos, eu falei:
“
– Num mexe nisso aí meus Filhos, isso ai vai cair, num mexe...”
E
eles:
“
– Não, não cai nada, a gente segura...!”
“
– Não mexe que isso vai cair!”
Salve
Deus!
Meus
Filhos, eu sei que vocês estão com pressa, eu atrasei vocês demais, mas se num
fizer assim a gente num chega né?
E
agora nós temos que ver as nossas coisas. Eu tenho vinte anos, né? Eu já perdi
a contagem, de caminho, sempre aqui, isso aqui me conhece há vinte anos, só
isso aqui, toda vida sô sempre essa pessoa.
Essa
preguicinha, porque vocês não pegaram Pai João como eu peguei, senão...
Sabe
o quê que é, muitas vezes você tem uma dívida com você. Muitas vezes não, você
tem uma dívida lá fora, e cuja dívida se você estivesse aqui você não ia pagar
essa dívida que você tá se reajustando agora. Então, Deus te deu essa
faculdade. Agora, o perigo é a gente morrer antes de chegar, como aconteceram a
outros, né? Mas tudo bem.
(Trino AJARÃ – Mestre
Gilberto Zelaya):
“
– Naquele tempo lá, a gente brincava com todo mundo, todo mundo batia em todo
mundo, saia correndo e ia embora, era uma festa, uma brincadeira, todo mundo
assistia, mas ninguém sabia realmente o que era.”
(Tia Neiva):
Não
levava a sério, né? Você lembra como eu trabalhava, não é? Pra falar comigo
naquele tempo era duro, viu? Você contava quinhentas pessoas na minha frente
constantemente, do mundo inteiro, tá bom? Hoje é mais fácil.
(Trino AJARÃ – Mestre
Gilberto Zelaya):
“
– Aqui era tão distante, falta de condições e de condução, pra buscar água
tinha que ir lá embaixo assim.”
(Tia Neiva):
Ali
não tinha condições, ali foi uma prova mesmo. Mas é assim mesmo, o homem tem
que duvidar, né? Agora o homem só não deve duvidar dele mesmo. Que ele duvide
em volta dele, mas não duvide dele.
Quando
eu vi esse quadro, o último que eu falei pra vocês, eu nunca mais duvidei de
mim. Mil pessoas:
“-
Ah, vai ser Kardecista, vai ser não sei o quê...”
E
eu pensava:
-
Não vou ser nada, não vou pra lugar nenhum.
“-
Ah, mas precisa ir pra Federação, se ligar à Federação...”
E
eu:
-
Não, nada disso, vou ficar aqui, meus Espritinho é que vai contar pra mim pra
onde eu vou. É a minha liberdade.
Mãe Yara sentava e contava a História
de JESUS, porque a História de JESUS me comove até hoje. Contava
casos, passagens de JESUS que vocês
não sabem, um dia eu vou contando, passagens lindas de JESUS.
Ela
me ensinou o Pai Nosso que está nos Céus e em toda parte... Eu sabia só o da
Igreja Católica, né? Que é esse que vocês rezam, não é esse? Pai Nosso que está
nos Céus e em toda parte...
(Trino AJARÃ – Mestre
Gilberto Zelaya):
“
– Em toda parte não tem na
Igreja Católica não.”
(Tia Neiva):
Não,
e Mãe Yara me ensinou foi assim. Pai Nosso que está nos Céus e em toda parte e nos Círculos Espirituais. Isso
não muda, né? Como nos Círculos Espirituais.
Como nos Círculos Espirituais...
Assim
na Terra como nos Círculos Espirituais, o pão nosso de cada dia daí-nos hoje
Senhor, e perdoe as nossas dívidas se
nós perdoarmos aos nossos devedores...
Então
eu teimava com ela, né:
“
– Como? Só se eu pagar? Eu não devo nada a ninguém! Pagar o quê?”
(Trino AJARÃ – Mestre
Gilberto Zelaya):
“
– A História de JESUS Mãe, porquê a
História, quem conhece a História Dele, Ele de pequenininho até um determinado
tamanho, seis ou sete anos, depois só vê ele com trinta e três anos, e esse
período deve ter uma História muito linda, né?”
(Tia Neiva):
JESUS, Ele... JESUS aos doze anos, Ele estava num grande Mercado, um Teatro como
eles falavam, discutindo com os Doutores, e há três dias NOSSA SENHORA e SÃO
JOSÉ procurava por Ele, e então chegou e falou, né? Como tem no Evangelho:
“
– Meu Filho, nós lhe procuramos há três dias!...”
Então
Ele disse que estava fazendo as coisas de Meu Pai que está no Céu, não é?
Nisso, JOSÉ DE ARIMATÉIA...
Pede
ali pro Mário uma fita, meu Filho... Pode deixar agora, tem muita fita ainda.
Tá certo o lado da fita? Ali tá passando. Tem volume?...
Então,
JESUS estava desaparecido há três
dias, e NOSSA SENHORA saiu e encontrou Ele discutindo num grande Mercado, Ele
discutindo com os Mestres, com os Médicos e os Doutores da Lei daquele tempo.
Então
Jesus, foi quando ela disse:
“
– Meu Filho, você estava desaparecido...”
Ele
disse que estava fazendo as coisas de meu Pai que está nos céus...
JOSÉ
DE ARIMATÉIA era um LHAMA de TIBET, era um daqueles RABINOS do TIBET, era
Doutor da Lei, então pediu a SÃO JOSÉ pra levar JESUS no Templo do TIBET e se iniciar e fazer o seu Doutorado.
Então JESUS, então SÃO JOSÉ entregou
JESUS, e Ele foi.
Que
a grande Missão de JESUS, foi A
ORGANIZAÇÃO DOS PLANOS ESPIRITUAIS, dos PLANOS ESPIRITUAIS. JESUS não veio só pra ser pregado na
cruz, porque assim não havia... Realmente era um objetivo mais amplo...
Olha,
algum de vocês quiser ir embora, eu tô segurando, não tem condução...
Então
Ele foi lá, Ele foi preparar, e Ele formou todos esse Planos, todo esse PLANO
ETÉRICO. Antigamente um Homem recebia quatorze Espíritos, e matavam, se
matavam, toda brincadeira era só de matar, porque aqueles Espíritos, eles
saiam, inclusive daqueles GLADIADORES, eles saiam de um e ali mesmo ele vinha
se vingar com outros, viviam naqueles...
Então
JESUS, com doze anos, foi levado à
presença do GRANDE DALAI que nós chamamos na nossa Iniciação. Eles tiveram
tanta vergonha, que cobriram o rosto pra fazer a Iniciação de JESUS.
Não
vê que vocês põem um pano, a gente põe um pano no rosto. Eu iniciei também
tampando o rosto.
Então
os Mestres tamparam o rosto pra fazer a Iniciação Dele e foram seguindo. Ele
também pegou um e tampou o rosto Dele, mostrando a Humildade.
Quer
dizer que nós aqui fazemos isso, entendeu? Pela Santa Lei que é esta. Os
Mestres dentro ali da Iniciação deveriam estar com o capô tampando também, mas
eu sempre tive dificuldade de respiração, o Pai Seta Branca abriu Mão, e Mãe
Yara que ali dentro os que ficassem não tampassem o rosto, mas era pra tampar o
rosto com o capú também...
É
capú? Capô? Como é que chama? Capuz!
Então
Ele ficou lá, JESUS fez o Doutorado.
JESUS era um Rabino, um Doutor da
Lei. Então, Ele fez, diz Mãe Yara, que ali ele promoveu todos os Planos,
formou, fez essas grandes Plataformas, essas Dimensões que é as escadas das
subidas. Tudo foi organizado por JESUS
entre os doze anos e os trinta anos.
Quando
Ele fez o Doutorado, JOSÉ DE ARIMATÉIA que sempre estava em vista de JESUS, que ele pedia notícias, então
Ele, JESUS saia do corpo e ia falar
com a Mãe e com o Pai, se transportava, saia levitando e ia ter com o Pai e a
Mãe, pra Mãe não sofrer a falta Dele.
Quando
Ele fez os trinta anos, que Ele fez o Doutorado, JOSÉ DE ARIMATÉIA trouxe ELE,
então se preparou na Sinagoga, foi a primeira decepção de JESUS, na Sinagoga,
que era a Grande Catedral, né? E lá se falava na chegada do Grande MESSIAS,
todo mundo esperava o MESSIAS. Então se falava na Sinagoga que vinha o Grande
Messias.
JOSÉ
DE ARIMATÉIA veio na frente e foi preparar uma grande festa, que ele sabia que
era JESUS, ele teve lá aquele tempo
todo em TIBET com JESUS, ele sabia o
Poder de Jesus.
Mas
Jesus ao passar, passou pelo Mar Vermelho, né? E lá estavam os pescadores, estavam
ali já esperando. Mar da Galiléia? Acho que é, né? Os pescadores ali, jogavam a
tarrafa e não vinha um peixe, tavam tristes ali, aí JESUS chegou ali e falou,
Pescadores de Peixes, chamou que eles viessem e que a partir daquele dia eles
eram Pescadores de Almas. Mas eles já tavam tudo preparados por JESUS, né?
É
como esses meninos ADJUNTO aí, que
eu falo, vocês todos cada um aqui tem o seu cantinho já, há quantos mil anos,
não é?
Então
meus filhos, os pescadores ficaram assim, Ele jogou a tarrafa, e eles: Mas não
tem peixe... E Ele jogou a tarrafa e mal deram conta, todos se juntaram pra
puxar. Então, todos viram que JESUS
tinha uma Força Especial e acompanharam JESUS.
Mas
quando chegou em casa, NOSSA SENHORA tava feliz esperando JESUS, e Ele chegou com aqueles pescadores, mal cheirosos de
peixes... Ai JESUS ficou, NOSSA
SENHORA arrumou no paiol, que eles ficassem no Paiol e o quarto Dele. Mas
quando foi, logo depois ela foi ver e JESUS não dormiu na cama, passou a noite
conversando com os pescadores...
Então
JESUS não viu a decepção que Ele ia
ter no outro dia. Ai os Rabinos estavam todos à espera no Grande Templo. E JESUS entrou, como tava marcado por
JOSÉ DE ARIMATÉIA que era o professor Dele, tava ali o Evangelho, entenderam? A
Escritura Sagrada. JESUS abriu e
disse:
“
– E eis que chegará o Filho do Homem...”
E
eis que chegará o Messias, o Filho do Homem, eu não sei como Mãe Yara fala com
tanta ênfase esse pedaço. E aí Ele disse:
“
– E aqui estou, em Espírito e Verdade!”
Afirmando
que Ele era o Grande Messias, que veio pra fazer essa grande obra da Terra. Ai
baixou a cabeça e quando Ele levantou, só tinha os pescadores, os Rabinos todos
abandonaram, viraram as costas pra Ele. Então Ele foi e falou pros pescadores:
“
– Porquê vocês não foram com eles?”
“
– Não fomos porquê acreditamos em Ti..”
Todos
de uma só vós. Ai começou o primeiro Mantra nessas simples palavra afirmativa dos
Discípulos, não fomos porque acreditamos em Ti.
Ai
Ele sai, né, sozinho. Que Ele chega e tá aquele povão vendendo cabrito,
vendendo pombo, vendendo, aquele comércio, ai Ele pega uma cinta que estava
assim e sai surrando todo mundo que tava vendendo as coisas. Ele começou assim,
né? Em tudo Mãe Yara procura uma razão pra mim.
Salve
Deus!
E
aí é a Grande História, Ele começa a falar. Vê como Ele falava daqui e todo
mundo do outro lado do Rio JORDÃO ouvia escutava. Ele falou o SERMÃO DA
MONTANHA e todo mundo escutava o que Ele dizia.
E
Mãe Yara falava e eu acompanhava como se fosse um cineminha. Aquelas coisas tão
verdadeiras, que eu vivi, eu vivia como se eu estivesse a dois mil anos atrás.
Salve
Deus!
Assim
que eu adquiri as coisas, que eu me acalmei, e que eu tinha, acabou aquela
falta de caridade minha de falar pras pessoas que tava...
Hoje
eu sofro muito, quando eu vejo você, às vezes uma pessoa se despedir de mim, já
vai morrer aquela pessoa, eu não posso dizer nada, sabem? Eu não posso, entre
nós tem coisas que nós juramos, e o meu silêncio, sabem, pode evitar muita
coisa, como às vezes eu dizendo...
O
melhor é eu ficar calada, como vocês sabem que aconteceu o ano passado, eu via
tudo e não podia gritar, às vezes fazia gestos assim dentro do carro, mas
avisei a todos vocês do que acontecia, do que ia acontecer...
(Trino AJARÃ – Mestre
Gilberto Zelaya):
“
– Então, aos trinta e um anos JESUS
foi um Doutorando no TIBET”
(Tia Neiva):
JESUS é o Doutor da Lei, JESUS foi, não
precisava, naturalmente se diz, porque Ele veio das Grandes, dos Grandes
conhecimentos.
Salve
Deus meus Filhos!
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